Matheus Lucas: o mineiro mais gente boa dos EUA conquistou a internet com humor, verdade e sotaque

Com um sotaque inconfundível, bordões que viraram marca registrada e uma forma simples de contar histórias, o brasileiro Matheus Lucas, de 30 anos, se transformou em um verdadeiro fenômeno nas redes sociais. Natural de Raul Soares, no interior de Minas Gerais, ele hoje soma mais de 410 mil seguidores no Instagram (@matheushlucass) e alcança dezenas de milhões de visualizações todos os meses com vídeos que misturam humor, cotidiano e vida real de imigrante.

Morando em Delran, no estado de New Jersey, Matheus está há 12 anos nos Estados Unidos e conquistou um público fiel justamente por não tentar parecer alguém diferente do que é. Pelo contrário: ele faz questão de carregar Minas com ele, no jeito de falar, de rir e de observar o mundo.

É uns trem chic, cê entende né?
Pega esse cafezinho, cumadi!

As frases, já repetidas com carinho pelos seguidores, resumem bem o mineiro mais gente boa dos EUA.

Matheus conta que nunca saiu do Brasil com um plano grandioso de virar influenciador. A mudança para os Estados Unidos veio por necessidade, coragem e vontade de recomeçar. No início, como tantos outros imigrantes, a rotina era sobreviver, trabalhar, aprender inglês, errar muito e seguir em frente.

Foi justamente nesse processo que ele percebeu algo diferente.

“Eu percebi que minha rotina era muito parecida com a de muita gente, só que ninguém falava disso de forma leve. O sotaque, os perrengues, as situações constrangedoras, as diferenças culturais… quando comecei a mostrar isso sem filtro, as pessoas começaram a se ver ali.”

O momento em que Matheus se reconhece como influenciador não foi quando os números cresceram, mas quando ele parou de tentar parecer alguém “pronto” e passou a mostrar quem era no processo.

Em um universo digital marcado por personagens, filtros e versões editadas da realidade, o conteúdo de Matheus chama atenção justamente pela espontaneidade. Ele não força tendências nem cria situações irreais para agradar algoritmos.

“Eu nunca tentei ser perfeito na internet, porque a minha vida nunca foi. O humor vem da verdade. Dá para crescer sendo humano, só dá mais trabalho do que fingir.”

Essa escolha fez com que seu crescimento fosse orgânico e consistente. O público se identifica porque se reconhece nos erros, nas dúvidas, nos choques culturais e nas pequenas vitórias do dia a dia.

A vida de imigrante é um dos pilares do conteúdo de Matheus. Ele fala sem romantizar, mas também sem amargura. Para ele, o maior desafio foi o período em que não se sentia pertencente nem ao lugar de onde saiu, nem ao lugar onde chegou.

“A solidão, a saudade e o medo de dar errado pesam. O que mais me deu orgulho foi não ter endurecido. Aprendi outra língua, outra cultura, trabalhei muito, errei muito, mas não perdi minha essência.”

Manter a identidade mineira, mesmo vivendo fora do país, virou uma das maiores forças da sua comunicação.

Hoje, Matheus Lucas é referência para brasileiros dentro e fora do Brasil. E a mensagem que ele deixa para quem o acompanha é direta e necessária:

“Recomeçar não é sinal de fracasso. É sinal de coragem. Não existe caminho perfeito, existe caminho possível. Você não precisa apagar quem você é para caber em outro lugar.”

A história do mineiro do interior que construiu uma vida do outro lado do hemisfério sendo ele mesmo mostra que há espaço para sonhar — sem perder a essência, o sotaque e a humanidade.

E como ele mesmo diria: “É uns trem chic, cumadi”.

Matheus abriu seu álbum de fotos, que mostra a infância humilde no Brasil e mudança de vida nos EUA

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